.. " Enxergo o amor como um cativeiro
Voluntariamente e involuntariamente nos sujeitamos a amar alguém
Como réus muitas vezes recebemos a sentença de prisão perpétua
Conheço mães que foram sentenciadas a amarem puramente seus filhos
perpetuamente
Pobres condenadas
Mas o ser humano se submete a andar por essa linha, a obedecer as
regras e leis dessa prisão
Fomos condenados, todos nós a isso
Há quem queira fugir de tal condição
Muitos até conseguem
Mas não sem seqüelas profundas e marcas incuráveis
Conheço mulheres apaixonadas que conseguiram fugir, e alguns
homens também, mas foram pra sempre marcados
O surpreendente é que muitas vezes, normalmente, as portas dessa
prisão estão abertas
Nós escolhemos nos aprisionar
Porque o amor que sentimos é tão maior que a própria liberdade que
simplesmente decidimos ficar
Outros sentenciados a perpétua nem escolher podem
Tenho pena das mães, falo das boas mães, das que de fato amam
O amor é isso, sofrimento, alegria, a falta de liberdade tendo ao
mesmo tempo liberdade total
Ato voluntário, mas ao mesmo tempo involuntário
Condenados a sofrer, a suportar, a agüentar, a sorrir, a
compartilhar, a estender a mão, a ser feliz
Presos
Eu amo alguém
Sinto-me preso
Mesmo a porta estando aberta eu não quero sair
Porque amo
Sou um condenado desfrutando desse cativeiro
Porque a liberdade não me deixaria tão feliz quanto o estar preso
Não por agora
Mas há os que estão “livres” por ai
Os que conheço estão procurando se aprisionar
Outros não
Preferem a liberdade de se estar a par de alguém
Mas quero focar apenas em falar sobre o amar mesmo
Dessa prisão
Pra mim a isso se resume o amor
Ao poder ser livre, mas escolher o calabouço
E ser mais feliz ainda
Estando preso o dia inteiro
É assim que enxergo o amor
Como um doce e bonito cativeiro " . ..... (Silvio Menezes)

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